Capítulo 3
Pff leiam com esta música: http://www.youtube.com/watch?v=bpoMJhL3JJc&feature=fvwrel
A respiração já quase me faltava, a minha visão estava turva e os meus olhos insistiam em fechar-se.
- Tira-me daq…daqui Zayn… - já quase nem me ouvia falar portanto deixei de lutar e sussurrei – Finalmente juntos outra vez… meu irmão…
- Seu monstro! LAR …GA… A JÁ!!
Ao fechar os olhos senti um último pontapé seguido de um estrondo maior que todos os outros. O chão tremeu por baixo de mim e o homem parou de me bater. Abri uma última vez os olhos com um esforço enorme e vi… não nitidamente mas reparei que duas pessoas lutavam com uma fúria imensa… O mais baixo e mais magro dava socos em todo o lado com o objetivo de acertar no adversário e o mais gordo esquivava-se aos ataques e dava estridentes gargalhadas. Fechei os meus olhos, sentia-me a ir abaixo… deixei-me ir com a maré, pronta para partir, pronta para deixar o mundo e ser esquecida…
No entanto algo agarrou em mim, tapou o meu corpo, magro e nu, e correu com o meu peso nos braços nunca parando… Eu não sabia bem quem era mas tinha a certeza que estava segura nos seus braços. Enrosquei-me no seu peito, puxei os trapos para me tapar melhor e alguém me sussurrou ao ouvido: Está tudo bem… estás segura comigo Sophia… - era aquela voz doce novamente, misteriosa…
- Z…Zayn? – não sei como consegui falar, estava tão fraca, sentia o meu coração a bater cada vez mais devagar, perdia as forças a cada segundo.
- Não desistas Sophia, estamos quase… Fica comigo! – apertava-me ainda mais contra si enquanto subia escadas, aquilo nunca mais acabava…
Segundos depois uma brisa fresca apoderou-se de nós e eu respirei como nunca tinha respirado, sorri levemente ainda de olhos fechados e abracei o tronco de Zayn.
- Eu protejo-te pequenina, custe o que custar...
Ele caminhou durante longos minutos nunca se queixando do meu peso. Num momento ele parou, senti a sua respiração ofegante no meu rosto.
- Desculpa não te ter poupado ao sofrimento…
Eu abri os olhos lentamente e olhei-o. Era tão lindo, tão puro… uns olhos intensos apoderavam-se do meu olhar, um belo sorriso prendia-me a fala e no entanto tinha o lábio rebentado e um olho negro.
- Andaste à luta p… por mim? – perguntei-lhe eu olhando-lhe nos olhos.
- Sim, aquele homem era nojento e o que ele te fez foi… foi… imperdoável! – a fúria e o desprezo transbordaram naquele momento pelos seus olhos.
- Obrigado meu héroi… - e olhei para o lado encontrando um sol radiante escondido por entre as montanhas. Era lindo, quente, reconfortante… à um ano e meio que não o via, que não o sentia tão perto. – Se estou no céu quero ficar aqui para sempre…
- Se estivesses no céu eu não estaria aqui contigo Sophia – disse Zayn olhando para o sol, estava lindíssimo banhado com aquela luz dourada.
- Estarias sim… és o meu anjo Zayn, um anjo que veio para me salvar… - ele olhou-me mais uma vez e sorriu-me. Juntou a testa à minha e fechou os olhos, fechei os meus também e ouvi-o sussurrar: Livres finalmente. – sorri e senti-me andar à roda, perdi as forças, deixei de ter noção do real e… Nunca pensei que a morte fosse tão fácil, tão calma e serena. Ao fechar os olhos olhei mais uma vez para Zayn, aquele anjo, aquele ser sobrenatural…
…
- Sophia…? Está tudo bem… - abri os olhos e respirei fundo. Ele acariciava-me o cabelo delicadamente, olhava para mim com um carinho inconfundível. Sentei-me e a minha cabeça começou a andar às voltas mais uma vez. – On…onde é que estou? – estava sentada numa cama fofa e já com roupa quente no corpo.
- Ora bem… perdeste os sentidos, eu trouxe-te para um hotel, dei-te banho,…
- BANHO?? Tu… tu deste-me banho?? Viste-me… hum
- Sim, vi-te nua! Mas não te preocupes, nem todos os homens são como aquele palhaço! E para além do mais és como uma irmãzinha para mim – e deu-me um beijo na testa afastando-se.
- Mas… e se… se ele vier atrás de mim? – comecei a tremer e lágrimas cresceram nos meus olhos. Não consegui evitar e agarrei os joelhos escondendo o meu rosto entre eles. Não queria voltar a vê-lo, não queria voltar a sentir aquele desespero, aquele medo que quase me matou. Eu chorava tentando deitar todo o medo para fora, tentando esquecer-me da minha vida, do meu pesadelo…
Zayn aproximou-se de mim e num abraço forte disse: Ninguém te vai fazer mal! Se ele quiser chegar a ti terá de passar por mim primeiro…
Ficamos ali horas a falar. Eu contei-lhe a minha história, o meu pesadelo. Ele contou-me a sua… contou-me que tinha feito prostituição para poder dar alimento aos seus pais e às suas irmãs, contou-me que se tinha vendido aquele homem, que se tinha sacrificado pela sua família… Não podia voltar a ver a família, estava sozinho no mundo tal como eu e, no entanto, tínhamo-nos um ao outro.
- Canta para mim Zayn… - deitei-me, ele deitou-se ao meu lado e abraçando-me encostei o meu rosto ao seu peito.
Começou a cantar uma melodia tão linda… sentia o vibrar da sua voz vinda do seu peito e o ritmo do seu coração acompanhava numa harmonia perfeita. Esperava que aquilo não fosse apenas um sonho, não queria acordar pois a minha vida começava a melhorar. Dei a mão a Zayn e adormeci com o calor do seu corpo e o som da sua voz no meu coração.
Dormi que nem um anjo. Tive um sonho lindíssimo, eu corria por um prado enorme ao sabor do vento com o sol a esconder-se por detrás das árvores. Sentia aquele ar puro, o aroma das flores, estava tudo perfeito e apareceu Zayn ao longe. Começamos a correr um para o outro, eu tentava correr rápido mas parecia que estava cada vez mais lenta… Os metros que nos separavam passaram a meros centímetros, já conseguia sentir o seu cheiro, a sua lenta respiração quando…

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