sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Enough of happy endings

Capítulo 8

Pff leiam com esta música: http://www.youtube.com/watch?v=2qea3lLr5qQ

Chegamos finalmente ao parque de diversões. O Zayn saiu do táxi e eu saí a seguir mas ele não esperou por mim. Quando olhei para ele, já ia a uma boa distância de mim. O frio invadiu o meu corpo, faltava-me o calor do seu corpo, faltava-me a segurança na sua voz. Procurei-os e ouvi a voz de Niall a chamar-me vivamente, virei-me e… Oh não, é ela!
A rapariga que mais amei, com quem mais ri, com quem chorei, a minha melhor amiga!
Conhecemo-nos no jardim de infância e a partir desse dia nunca mais nos largamos. Fazíamos tudo juntas, como um só… Tivemos más memórias mas não importa, as boas ultrapassavam qualquer outra. Ela foi a única pessoa que me compreendeu, que me conheceu como realmente sou, sem corantes nem conservantes.
Houve uma altura que nos chateamos e não falamos durante mais ou menos um ano. Foi o pior ano que vivi até à altura. Emagreci e não conseguia dormir. Sonhava que no dia seguinte iria ouvir as suas gargalhadas e não os seus olhares incriminadores, sonhava tê-la de volta.
Um dia ela convidou-me para almoçarmos e fazermos as pazes no entanto… foi nesse dia que o homem me veio buscar. Ela deve ter ficado à minha espera durante horas e horas, conheço bem a sua persistência. Pois é… eu não voltei para fazermos as pazes e, pior de tudo, não me despedi dela não recebi um último abraço seu, um último sorriso apontado na minha direção, um último adeus… Dias e dias chorei naquela cave, sentia tanto a falta dela, a falta de Melissa… a força da natureza que era capaz de me pôr a rir sempre que estivesse em baixo.
Ela estava bem à minha frente e também me olhava. E o mais engraçado é que era namorada do Niall… 
- Sophia? És mesmo tu??!! – uma lágrima escapou do seu olho e estendeu-me os braços. Um arrepio assolou-me o corpo, as lágrimas estavam prestes cair mas eu controlei-me, avancei e abracei-a. Senti tanto a sua falta, da sua voz e do seu conforto! 
- Bem… parece que já se conhecem afinal! – Niall recomponha-se desajeitadamente.
- Pois, bem vou ali buscar uma cerveja,vens?
- Sim, parece que elas têm muito que falar! – dá uma gargalhada seca e vai atrás de Zayn.
Agora que estava abraçada a ela não me queria soltar dos seu braços, queria recuperar o tempo perdido.
- Então? Diz-me o que aconteceu Sophia! O homem tratou-te bem?? – perguntou-me agarrando-me nos ombros e olhando-me persistentemente nos olhos. Eu queria mentir, não queria que ela soubesse do meu sofrimento, não queria que tivesse pena de mim… Mas não podia mentir-lhe, nunca lhe menti, NUNCA! Contei-lhe toda a história e confesso que me custou reviver aquilo tudo, aquele pesadelo. Várias vezes as lágrimas me vieram aos olhos mas ela estava lá para me reconfortar. Acabei de lhe contar tudo e senti um alivio dentro de mim, um peso que me tinha saído de cima.
- Obrigado Mel, por me ouvires até ao fim…
- Oh Phia (era como ela costumava chamar-me) de nada, estarei aqui para o que for preciso!
Andamos em montanhas russas, comemos algodão doce e algumas farturas, rimos e sorrimos como já não nos lembrávamos de fazer. Passamos uma noite espetacular, fazia-me recordar os velhos tempos quando ainda não havia complicações, quando só precisávamos de nos preocupar com a escola e namorados. De repente lembrei-me que precisava de arranjar um emprego mas depois tratava disso…
Estava na hora de irmos embora e não sabíamos do Zayn.
- Eu vou procura-lo… vocês podem ir andando – sorri-lhes e a Melissa fez-me um olhar. “Pronto lá está aquela rapariga! Deve pensar que eu e o Zayn estamos juntos ou então quer-nos juntar para variar! Adoro aquela miúda!!”.
Procurei-o durante alguns minutos enquanto esfregava os braços com o frio que se estava a pôr. O parque já estava quase vazio. 
- Zayn? – sussurrava, mas não parecia que ele ali estivesse e cheguei a pensar que tivesse ido embora quando, num recanto vejo-o. Estava a fumar!
- Zayn? – fui ao seu encontro e ele tentou esconder o cigarro.
- O que é que queres?
- Tu fumas? – espreitei pelas costas dele horrorizada com a minha descoberta. Odiava tabaco, matou o meu avô e essa é a minha primeira lição de vida. Nunca mais pude ouvir as suas histórias, aventuras que ele contava num tom grave e rouco, nunca mais pude dormir no seu colo e senti-lo acariciar-me o cabelo. Nunca mais esquecerei aquele dia no hóspital em que ele me pediu para não o voltar a ver porque não queria que o visse naquele estado, a morrer. Ele queria que me lembrasse dele com aquela sua vivacidade característica. E assim o fiz, dei-lhe um ultimo abraço e disse-lhe um “adeus para sempre avô”.
- Larga isso já! 
- Deixa-me em paz!
- Ai é? – virei as costas fui a uma máquina e comprei tabaco. Voltei e mostrei a Zayn – Se não largas isso começo a fumar!
- Sophia!! Não vais mesmo fazer isso pois não? – ele olhava-me com ar preocupado e, satisfeita, percebi que o meu plano estava a funcionar.
- Vou sim! – tirei o isqueiro da mão de Zayn e aproximei-o da ponta do cigarro. Dei uma baforada e o fumo entrou me na garganta. Ao expeli-lo senti a tosse a vir. Tossi até me faltar o ar, estava tão aflita que quase ponderei que iria morrer ali.
- Pronto! Pronto! Eu paro! – atirou o cigarro ao chão e tirou-me o meu da mão. Abraçou-me e disse-me:
- Sentes-te melhor? – dava-me pancadinhas nas costas que realmente ajudavam a aliviar a tosse - Obr…obrigado…
- Obrigado eu, pensei que ia morrer hoje! – ele soltou uma gargalhada.
- Eu não o iria premitir… - acariciou-me o rosto e eu corei. Zayn agarrou-me na mão e começou a andar. 
- Zayn? Onde é que vamos? – estávamos a ir para o oposto da saída – Ainda somos apanhados!
- Descansa… ninguém está cá. – ele subiu para o telhado circular de um carrocel e eu segui-o. Ele deitou-se lá em cima e eu deitei-me ao seu lado.
- Sempre adorei vir cá de noite, deitar-me aqui mesmo e observar a beleza das estrelas… - naquele momento todo o parque estava escuro apenas iluminado pela luz da lua e das estrelas. Eu olhava para ele, estava de olhos fechados como se dormisse profundamente, como um anjo. Entrelaço os meus dedos nos seus carinhosamente e ele aperta-me suavemente a mão. Olhamo-nos nos olhos um do outro e eu sorri. Comecei a sentir humidade a cair, estremeci um pouco e quando estava a prometer a mim mesma aguentar aquele frio senti os braços dele a envolverem-me o corpo. Eu encostei o meu rosto ao seu peito e senti a sua mão a perfurar-me a roupa. Com delicadeza ele pousou a sua mão na minha barriga. Estava quente como uma lareira, reconfortante o que fez com que eu deixasse de tremer. Ele era demasiado bom para mim e isso fazia com que eu me sentisse mal pelas coisas que lhe tinha dito a sangue frio como se ele nem sequer importasse.
- Eu menti-te Zayn... amo-te como nunca amei ninguém – consciente do que tinha dito virei rapidamente a minha cara que escaldava naquele momento. “O que é que eu fui fazer? Sou tão estupida! ESTÚPIDA!”
- Ahh Sophia? – eu virei-me lentamente à espera de uma expressão reprovadora mas só consegui reparar no seu espanto. Ele aproximou-se de mim, pegou-me na cintura e puxou-me para ele. – Eu amo-te Sophia mas… eu não quero que digas isso para eu não ficar triste. Eu aguento a verdade.
Afastou-se de mim e deitou-se novamente. Eu agarrei-lhe na mão e pousei-a no meu peito. Aí ele conseguiu sentir a minha pulsação, o desejo que sentia por ele, a minha paixão… Ele olhou-me com os olhos muito abertos.
- Tu… tu amas-me mesmo? – pegou na minha mão delicadamente.
- Sim, eu amo-te Zayn… desculpa mas eu não aguento mais estar sem te sentir - aproximei-me e juntei os meus lábios aos dele. Ele correspondeu-me e puxou-me para si. Acariciei-lhe o cabelo e beijei-lhe o seu pescoço. Inspirei fundo de olhos fechados, o seu perfume fazia com que o desejasse ainda mais. Beijei-o novamente e permiti que as nossas línguas se juntassem numa harmonia incondicional. Ambos respirávamos ofegantes de desejo, queríamos cada vez mais. Ele afastou-se, olhou-me nos olhos com o fogo no olhar.
- Preciso de te fazer uma pergunta… - fechou os olhos e colou a sua testa à minha ainda com a respiração acelerada. Conseguia ouvir os nossos corações que batiam em sintonia no vazio da noite – Queres… namorar comigo?


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